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Alcança quem não cansa

Um Blog utilizado para a divulgação das obras de Aquilino Ribeiro. «Move-me apenas o culto da verdade, pouco me importando que seja vermelha ou branca.» [Aquilino Ribeiro]

Um Blog utilizado para a divulgação das obras de Aquilino Ribeiro. «Move-me apenas o culto da verdade, pouco me importando que seja vermelha ou branca.» [Aquilino Ribeiro]

Alcança quem não cansa

04
Out23

"JARDIM DAS TORMENTAS" (1913) (Contos) - Carta-Prefácio de CARLOS MALHEIRO DIAS - [p. 10 de 15]

Manuel Pinto

[p. 10/15]

AO SR. AQUILINO RIBEIRO.

«A república está necessitada de uma élite dirigente, que a civilize, que a traga das suas abstracções furibundas às realidades humanitárias; e, por todos os motivos, a sua distinta inteligência e o seu tirocínio de civilização naturalmente o indicam para ser nessa classe — e porque não nessa casta? — uma figura de insinuantíssimo relevo.

Este livro o testemunha.»

                                                    (Continua)

03
Out23

"JARDIM DAS TORMENTAS" (1913) (Contos) - Carta-Prefácio de CARLOS MALHEIRO DIAS - [p. 9 de 15]

Manuel Pinto

[p.9/15]

AO SR. AQUILINO RIBEIRO

«O Sr. Aquilino Ribeiro é, essencialmente, estruturalmente, um aristocrata. Para o afirmar com esta segurança não me é preciso consultar a sua árvore genealógica. A sua aristocracia não é uma aristocracia fisiológica, pois parece que há disso. Mas porque é uma nobreza de mentalidade e de sensibilidade, ela representa um valor social influente. É com esses valores que a democracia poderá, depurando-se, enobrecendo-se, civilizando-se, emancipando-se das lutas atrofiadoras do fanatismo revolucionário, desembaraçar-se da sua túnica de Nesso. Lendo o seu livro, como ao meu espírito, acudirá ao espírito do leitor a famosa sentença aforística: Ceci tuera cela — pois, como eu, ele há-de recusar-se a acreditar que esse ao mesmo tempo delicado e poderoso organismo de sensibilidade intelectual que é o seu cérebro possa admitir como interpretação duma felicidade social, embora humílima, o que até hoje produziu a revolução.»

...                                                                                         (Continua)

 

02
Out23

"JARDIM DAS TORMENTAS" (1913) (Contos) - Carta-Prefácio de CARLOS MALHEIRO DIAS - [p. 8 de 15]

Manuel Pinto

[p. 8/15]

AO SR. AQUILINO RIBEIRO

«Estas cousas não as compreenderá o nosso infeliz, desvairado irmão jacobino. Mas o pensador insigne que, depois de em plena crise de exuberância juvenil ter ajudado a carrear os materiais para a revolução, se impregna da coragem mental para escrever as páginas que delimitam o Jardim das Tormentas, esse me compreenderá... Se essa obra de vacuidade e de instabilidade, cuja confusa, assimétrica charpente continuamente vejo em riscos de desmoronar-se (e a que ambiciosamente se chama a democracia portuguesa), tem ainda probabilidade de equilibrar-se, essa consiste no apoio que venham a dar-lhe os aristocratas da inteligência. É para essa aristocracia que terá de apelar a nossa incongruente república de escaravelhos. Só as elites são produtoras de obras perduráveis. Um edifício feito de escórias não se aguenta. Eu sempre sorri, com altivo desprezo, para as ameaças da ignorância. Só o talento governa o mundo. Essa omnipotência tem, às vezes, os seus eclipses. Sobre ela projectam, às vezes, as suas sombras a irracionalidade e o delírio. Mas a mobilidade é a própria natureza das sombras. Elas passarão...»

                                                                    (Continua)

 

 

 

 

01
Out23

"JARDIM DAS TORMENTAS" (1913) (Contos) - Carta-Prefácio de CARLOS MALHEIRO DIAS - [p. 7 de 15]

Manuel Pinto
[p. 7 /15]    
 
AO SR. AQUILINO RIBEIRO.
 
 

«Eu não acredito no dogma democrático, ou, para melhor me exprimir, não acredito que a democracia brote duma simples fórmula de jurisprudência política. Vejo na História que de todas as vezes que um regime se implantou para fazer, designadamente, democracia, sempre produziu demagogia. Foram, porventura, igualdade, fraternidade e liberdade que resultaram da revolução portentosa da França? Foi uma modalidade diversa do despotismo. Creio, contrariamente, que a democracia, a única não teórica, demonstrada pela igualdade de todos os cidadãos perante a lei, pela liberdade amplíssima de opinião e pelo exercício autêntico da soberania popular, só pode derivar duma organização social a que presida a disciplina, sob todos os seus aspectos externos e íntimos, de harmonia e de hierarquia. Como os exércitos, os povos sem organização e sem chefes, onde sejam os soldados a mandar, esboroam-se na luta. Não há nada menos democrático do que a revolução. A revolução é a tirania voltada do avesso. Se eu, braviamente cioso da minha independência, como sou, tivesse de optar entre o jugo das aristocracias e o da plebe, sem hesitar preferiria aquele. Concebo que duma aristocracia, como na Grécia e em Roma, se possa fazer uma democracia. Mas que uma obra harmoniosa possa sair das confusões plebeias, não!»

...                                                                                                                                     (Continua)

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