Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alcança quem não cansa

Um Blog utilizado para a divulgação das obras de Aquilino Ribeiro. «Move-me apenas o culto da verdade, pouco me importando que seja vermelha ou branca.» [Aquilino Ribeiro]

Um Blog utilizado para a divulgação das obras de Aquilino Ribeiro. «Move-me apenas o culto da verdade, pouco me importando que seja vermelha ou branca.» [Aquilino Ribeiro]

Alcança quem não cansa

31
Mar25

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 58) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XII de XVIII} * [ vol. I ]

XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

Manuel Pinto

1ª parte do berço GRANDE.jpg

12.161APRIMA.jpg

«Proventos de Luís de Camões. A poesia era um pequeno mester remunerado.»
«O Cancioneiro Geral regista nada menos de duzentos e oitenta e seis nomes de poetas no período compreendido entre a metade do século XV e os primórdios do século XVI. A primeira impressão é que proliferavam como os gafanhotos e que deviam cantar apenas uma sazão como as cigarras nos trigais do Alentejo. Mas seriam todos vates? Possivelmente não. Todos eles se apresentavam, sim, à hora própria nos serões, nos jogos florais ou nada mais que a depor no regaço das noivas ou namoradas, com o camafeu romano, a peçazinha rimada encomendada ad hoc ao bom versejador. Versejar era mester afim do iluminista ou do calígrafo...»
«Estava-se longe do conceito estético -- arte pela arte. Não se faziam versos pelo prazer espiritual de obter rimas de cadência melódica ou pensamentos ternos suspensos de rendas verbais. Versejava-se sempre com um fim: cortejar uma dama, lisonjear personagem influente, comemorar acontecimento de importância familiar ou patriótica, celebrar o beato taumaturgo. Foi preciso que viesse o romantismo para que os poetas obedecessem à inspiração ou voz interior que os manda cantar como aos rouxinóis. A poesia heróica, tão florente que não há batalha que não tenha o seu épico, documenta aquele conceito de boa utilidade.
Os vates quando teciam os seus vilancetes sobre um mote obedeciam pois a um propósito. As trovas de Camões feitas para acompanhar a oferta duma carta de alfinetes o estão a confirmar. Presidia sempre uma objectividade específica à lavra poética. E todas estas glosas, tantas dessas voltas em heptassílabo podem considerar-se como que produtos cognatos das quadras que vêm picadas nos vasos com manjericos que se vendem pelo Santo António e São João.»

12.162A.jpg

12.163A.jpg

12.164A.jpg

12.165A.jpg

«A vida dolorosa do poeta.»
«Supondo que os amigos do poeta eram bastos como tortulhos e poderosos como cônsules, não impediu que duas vezes, pelo menos, catrambiasse no Tronco, e uma vez com certeza fosse parar ao degredo, marcos miliários da interminável via da amargura que foi a sua existência, tanto ou tão pouco espinhosa que a mão de D. Gonçalo Coutinho, movida não se sabe a que impulso, lhe gravou na campa a legenda justiceira e tremebunda: Viveu pobre e miseravelmente e assim morreu..

                                                             (continua)

25
Mar25

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 56) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XI de XVIII} * [ vol. I ]

XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

Manuel Pinto

1ª parte do berço GRANDE.jpg

«Modo de vida de Luís de Camões. Pobreza paterna»
«Sobressai claro como água, pela análise das notícias reconhecidamente originais e a síntese das mil e uma ilações tiradas pelos inúmeros exegetas, que os pais do poeta eram gente obscura e menos que abastada...»
. . .    . . .    . . .
«Gente pobre, tampouco se apurou bem de que viviam, nem jamais se poderá apurar. Até a revolução económica de Mouzinho da Silveira, ignorava-se em Portugal de que meios de subsistência se proviam três quartas partes da população. No comum eram bocas, graças a ofícios indefinidos ou eventuais, vegetando ao sabor da fortuna ou da bênção de Deus.
Os pais de Camões eram desta índole, e o filho que vivia com eles, à Mouraria, segundo o testemunho de Manuel Correia, não exercia nenhum mester, nem jamais se lhe conheceu outra aptidão que não fosse a de versejar e prendas afins. Como ganha-pão era pouco e tudo o que há de precário.»

11.151.jpg

11.152.jpg

11.153.jpg

«Luís de Camões não tinha ocupação qualificada, à parte a de poeta, a qual é de crer, apesar de tudo, que alguns proventos lhe proporcionasse.»

11.154.jpg

11.155.jpg

«A oficina de joalheiro do verso. Moeda de troco.»
«... Fosse como fosse, não deviam ser chorudos os réditos de Luís de Camões, permitindo-lhe um passadio mais que precário, o tal viver pobre e miseravelmente. Alguns chegavam-lhe em artigos de capoeira e até em camisas.»

(continua)

21
Mar25

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 55) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. X de XVIII} * [ vol. I ]

XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

Manuel Pinto

1ª parte do berço GRANDE.jpg

10 X.jpg

(continuação)

«Depõe Afrânio Peixoto...»

10.144 novo B.jpg

10.145.jpg

10.146.jpg

10.147.jpg

10.148.jpg

«Ela (Infanta D. Maria) conservou-se sempre a uma imensurável distância do poeta, em qualquer das suas fases, quer a do cliente do Mal-Cozinhado, quer a do tarimbeiro estropiado da Índia, morador a Santa Ana. Ela era toda céu, ele todo baldões; ela fausto, ele a mofina negra.»

10.149.jpg

«O testamento da milionária.»
«Quanto ao romance Infanta-Luís de Camões, vejamos: Os Lusíadas vieram a lume em 1572; a Infanta fez o testamento em 1577; fechou o codicilo meses depois. Os longos anos que vão do seu regresso a Lisboa até 1579 padeceu o poeta grandes necessidades e sofrimentos, a ponto de se ver obrigado a estender a mão à caridade pública, segundo as biografias mais próximas da data da sua morte. Com as tenças que deixou a Infanta, levaram muitas famílias vida farta. Dos esbulhos pingaram autênticos manás. Locupletaram-se os testamenteiros e com eles os magistrados que poderiam superintender nas disposições codicilares. Durante cinquenta anos, activos enxames de vermes, menos rápidos, mais ávidos porém que os da terra, devoraram a imensa fortuna em desagregação. Tudo o que pôde ferrar o dente ou enterrar a unha não se deteve com preconceitos  de legitimidade. Foi um regabofe.»

10.150 A ´ULTIMA.jpg

«Luís de Camões, primeiro poeta e primeiro desgraçado do Reino...?! Ignorava!»
Compreende-se, dentro de qualquer lógica, que a Infanta, a mais rica herdeira da cristandade, segundo o testemunho do cardeal Alexandrino, que deixou legados a torto e a direito, a quantos frades e freiras roçaram o merino da sua robe, às próprias escravas negras, se não tivesse lembrado do seu poeta, chegado ao último escalão da desgraça?!»

* * * * * * * * * *

19
Mar25

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 54) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. X de XVIII} * [ vol. I ]

XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

Manuel Pinto

capa livro  vol 1.jpg

1ª parte do berço GRANDE.jpg

10.139 A PRIM.jpg

10.140.jpg

10.141 A.jpg

«O testemunho do devasso Sr. de Brantome.»
«Amada de Luís de Camões? Doutros? Desse estabanado Jorge da Silva? O Senhor de Brantome, na Vie des dames galantes, levado um tanto no propósito de ilustrar de figurantes reais o capítulo das mulheres idosas que morreram virgens mau grado seu, traz à colação o exemplo da Infanta de Portugal. E simultaneamente como está no seu carácter de delicioso narrador de histórias, sob o signo de Vénus, e de incorrigível libertino, esquissa um leve e pouco mais que aéreo romancinho».

10.142.jpg

10.143.jpg

10.144 novo A.jpg

(continua)

Pág. 1/3

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Favoritos

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub