ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 62) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XIV de XVIII} * [ vol. I ]
XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.






(continua)
Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]






(continua)

DA GUINÉ ... AO LARGO DO CARMO:
ASSIM NASCEU O 25 DE ABRIL DE 1974
por João Paulo Guerra
«Em 1961, esmagadas as incertezas e hesitações dos chefes militares, Salazar mandou avançar para Angola, «rapidamente e em força», assumindo ele próprio a pasta da Defesa Nacional. E foi com Salazar à Defesa que o Império perdeu a jóia da coroa, a Índia.
A descolonização do chamado Estado Português da Índia demorou 36 horas [18 a 19 de Dezembro de 1961], ao cabo de cinco séculos de presença portuguesa e de onze anos de um diálogo de surdos entre Lisboa e Nova Delhi. Um dia e meio foi quanto resistiram cerca de três mil militares portugueses colocados em Goa, Damão e Diu à invasão dos territórios por cerca de 50 mil soldados indianos. Mas, apesar desta desproporção, Salazar enviara de Lisboa para o governador da Índia, general Vassalo e Silva, ordem de que só aceitava soldados portugueses “vitoriosos ou mortos”. Morreram na Índia 67 militares da guarnição portuguesa, 3.500 foram feitos prisioneiros.
A derrota militar na Índia, em Dezembro de 1961, veio dar razão aos militares que, em Abril desse ano, tinham preconizado uma solução política para a questão colonial. Complexados pela derrota, os militares não exploraram o sucesso da sua razão. Pelo contrário, a partir daí remeteram-se ao silêncio por largos anos. E de 1962 a 1973, os militares assumiram a guerra colonial.
Foi nas matas de Angola, da Guiné e de Moçambique que os militares portugueses aprenderam tudo aquilo que ficava por aprender nos manuais da Academia Militar. E a geração que fez a guerra acabou por fazer também a revolução. Foi a geração do capitão Fernando José Salgueiro Maia:

Foto Luís Silva
S.M. «Os cursos que entraram para a Academia em 1963, 64 e 65 –recordava mais tarde Salgueiro Maia - foram a base do MFA. Foi a partir do início da guerra que a Academia Militar passou a abrir a porta. E os que entravam, sabendo-se que estávamos em guerra, iam para a Academia por idealismo, sabiam que se iam sacrificar, que iam para a guerra. Mas o idealismo, aliado à generosidade e ao espírito de contestação dos anos 60, predispunha para dar a volta ao texto. Em 1974 encarámos o risco:Vamos ou não vamos? Optámos por arriscar, mesmo não sabendo o que vinha a seguir. É que, para nós, não queríamos nada.
– «Saiu daqui para defender um Portugal multirracial e deparou com o colonialismo puro e duro?
S.M. - «Tudo aquilo que a propaganda apregoava, o tal Portugal uno, indivisível, inalienável e multirracial, mais não sei quantos, era uma fraude. Porque nós chegámos lá e vimos que existia quase escravatura, com os negros a serem obrigados a trabalhar à coronhada de Mauzer, existiam castigos corporais perfeitamente abjectos, existia todo um mundo de arbitrariedade, e no fim eram as Forças Armadas que teriam que estabelecer o equilíbrio. Eu nunca estive em Angola. Em Angola, houve os problemas de 1961, com não sei quantos mortos entre a população civil, e seria normal que isso provocasse traumatismos. Mas em Moçambique não houve nada e o comportamento da generalidade dos colonos do interior era de racismo, de exploração, de negação de tudo aquilo que a propaganda dizia.
«Ora num contexto destes, e quando já tinham sido publicados bastantes livros sobre a guerra da Indochina, em especial os livros do Jean Larteguy, nós começámos a pensar, a fazer paralelismos. E a partir de certa altura deixámos de ter dúvidas sobre qual seria o fim da história. Depois estive na Guiné, já como capitão, e o contexto militar era bem pior. Só encontro paralelo com o cenário do filme Platoon.
«Ao longo de treze anos, as Forças Armadas incorporaram e mobilizaram para a guerra 820 mil jovens portugueses: registaram 10.425 mortos, cerca de 117 mil feridos, deficientes e mutilados, pelas contas de “Os números da guerra de África”, tenente-coronel Pedro Marquês de Sousa, editora Guerra e Paz 2021.»
Registaram-se também 3.209 heróis, 31 condecorados com a Torre e Espada, 139 com medalhas de Valor Militar, 3.039 com a Cruz de Guerra. Cerca de 200 militares desertaram dos teatros de operações. A percentagem de faltosos e refractários rondava, em cada ano, 18 por cento do contingente. A guerra esteve na origem da emigração de milhares de jovens e em certos casos das respectivas famílias. Entre 1960 e 1974 emigraram, só para França, o destino mais próximo, 1.524.000 portugueses, cerca de 80 por cento dos quais «a salto». Ao longo de treze anos, as despesas com a guerra constituíram, em média, 43 por cento das despesas públicas, chegando a atingir cerca de 55 por cento em 1969.
«Mas o regime não admitia outra saída. Negociar era um sacrilégio.»
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
«Em 25 de Abril de 1974, cansados da guerra, os militares apearam o poder ao qual tinham dado 13 anos de oportunidade para negociar a paz. Menos de dois anos após ter condenado os militares à derrota na Guiné, Marcelo Caetano entregou o poder nas mãos do general Spínola, na tarde de 25 de Abril de 1974.»
«Marcelo Caetano e membros do seu Governo tinham-se refugiado no Quartel da GNR no Largo do Carmo, cercados pelas tropas comandadas dos momentos decisivos do 25 de Abril de 1974. Mas a “Operação Fim do Regime” estava já decidida, na opinião do capitão Salgueiro Maia.
S.M.– O momento decisivo foi no Terreiro do Paço, quando o brigadeiro Junqueira dos Reis, que comandava a força que nos interceptou, deu ordem: “Dispare sobre aquele homem”. Aí, eu tinha duas opções: ou tentava fugir, mas com isso incentivava o instinto do caçador, ou ficava quieto. Foi o que fiz e funcionou. Primeiro, o alferes comandante do pelotão de carros recusou-se a atirar e foi preso. O brigadeiro deu-lhe voz de prisão, ali mesmo. Depois, o brigadeiro foi à torre do carro de combate e disse para o apontador, que era um cabo: “Dispare sobre aquele homem”. E o cabo não disparou. E quando um brigadeiro deu aquela ordem de fogo e um cabo não disparou, aí fez-se o 25 de Abril. Foi o indicador de que a situação era irreversível.»
«Guiados pelo Programa do Movimento das Forças Armadas, os militares derrubaram 48 anos de fascismo mas não tomaram o poder. E o futuro não foi o previsto no labirinto do general Spínola.»
por João Paulo Guerra (16/04/1942 -- 04/08/2024).
Entrevistas a Fernando Salgueiro Maia (Santarém, 20 de Janeiro de 1992), António Ramos (Lisboa, 18 de Fevereiro de 1994), Carlos Fabião (Bissau, Agosto de 1974 e Lisboa, 18 de Fevereiro de 1993), Manuel dos Santos (Canjambari, Guiné-Bissau, Agosto de 1974 e Bissau, 27 de Janeiro de 1991), Francisco Costa Gomes (Lisboa, 3 de Março de 1993), António Ramalho Eanes (Lisboa, 6 de Abril de 1993), Pedro Pezarat Correia (Lisboa, 11 de Fevereiro de 1993), Kaulza de Arriaga (Lisboa 10 de Fevereiro de 1993), António de Spínola (Lisboa, 26 de Abril de 1993), Waldemar Paradela de Abreu (Lisboa, 20 de Fevereiro de 1994)
Publicada por João Paulo Guerra à(s) 24.4.2022
http://especiedemocracia.
"Canção do Soldado", com letra de Urbano Tavares Rodrigues, música e interpretação de Adriano Correia de Oliveira, viola de Rui Pato.
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/cancao-do-soldado-por-adriano-correia-de-oliveira/
(Sendo quase prosa, este é um dos poemas que mais
me fizeram sentir a poesia dentro de mim, talvez por
ser uma realidade sentida)
Não chovia mas o céu ameaçava desfazer-se em água.
Era plúmbeo presumivelmente a oeste
e carregado de negro do lado oposto.
Uma faixa mais clara nascia por cima de Irkutsk
e desfibrava-se ao longo do rio Angorá
mais parecendo um quadro de Fiódor Vasiliev
ou de Ivan Aivasovsky.
Como a vida tem tantas formas de circularidade
sentei-me num banco de jardim à beira do rio
e dei ordens à memória para me buscar aquele rapaz soviético
que há muitos anos, num ardente dia de sol
as nossas tropas aprisionaram no norte da Guiné.
Era de Kiev mas tinha nascido em Irkutsk na Sibéria.
Tecnico de máquinas automáticas
oferecera-se como voluntário e internacionalista
para ajudar os guerrilheiros do PAIGC
a combater as tropas colonialistas.
Na pequena sala onde funcionava a secretaria
do nosso aquartelamento
estava o prisioneiro como que pregado a uma cadeira.
Tinha na sua frente o capitão da nossa Companhia
o capitão da Companhia de intervenção que o capturou
dois ou três sargentos e outros tantos alferes e eu.
Os lábios do jovem soviético nascido em Irkutsk
estavam gretados de sede e de sol.
Um sorriso feito de água, terra, fogo e ar
iluminado por um sol negro de melancolia
denunciava um grande medo dos homens que tinha na sua frente.
O capitão foi buscar um copo de água
e entornou-a lentamente a uma mão-travessa da boca do rapaz.
Os olhos quase saltaram das órbitas.
Pedi ao capitão que me desse o copo
enchi-o de água e raiva
e dei-o a beber ao prisioneiro.
Valeu-me a firmeza com que o fiz e o facto de ser médico.
Se algum dia a minha vida pudesse ser música!
Desconfiado, levou o copo à boca...
e ainda hoje não sei falar de tudo o que treme
nas mãos de uma criança.
O céu arrependeu-se de chover e seguimos para o lago Baikal
a maior reserva de água doce do mundo
que daria para matar a sede à humanidade
durante oitocentos anos.
Quando senti nas mãos a água fria das margens
lembrei-me de um copo de água lá nos confins da Guiné.
Eu não sou capaz de crescer para as palavras
mas dava tudo para cruzar os tempos que ainda são tempo
e mostrar ao mundo a dimensão que o homem é
e a pequenez que usa por força da fraqueza.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
https://aviagemdosargonautas.
ADÃO CRUZ – O PERFUME DOS CRAVOS
Ao ouvir – que já não ouço – notícias e comentadores, discursos empolgados, entrevistas e debates, encrencadas conversas sobre democracia, liberdade, renovação e futuro, tenho uma sensação idêntica à do canceroso que, ao fim de cinquenta anos, descobre o aparecimento de metástases. Ou sinto a impressão causada pela violação de um cemitério e a exumação de cadáveres, trazendo para a luz o que às trevas pertence.
Sinto, nos tempos que correm, com imensa tristeza, que a dignidade e a nobreza do carácter se perdem nas falsas notas de uma desconjuntada sinfonia de velho mundo.
A CS não cheira bem, talvez porque tenha os canais pouco limpos, ou porque as digestões são difíceis e os sais de frutos insuficientes. Não lhe basta a tarefa de procurar a desinformação, de promover pessoas sem qualquer formação condigna, sem estrutura política respeitável e sem mérito humano que lhes permita sentarem-se frente aos olhos de um país. Ainda precisa da exclusão de todos os que ali mereciam sentar-se e de dar uma mãozinha ao obscurantismo, à formatação e deformação das mentalidades.
Não lhe chega tentar, de forma impossível, conciliar a inteligência com a indigência mental. Não lhe basta promover debates, comentários e entrevistas com a eufemística intenção de avaliar fenómenos complexos, de vincado carácter social, cultural e político, metendo no saco da mediocridade toda a espécie de pessoas, interesses individuais, conjunturas políticas e muitos seropositivos do vírus fascista. Com a democracia doente, aqui e em todo o mundo, injectar-lhe gratuitamente micróbios a ver como reage não é profilaxia, mas eutanásia.
A CS não cheira bem, mas ao fim de cinquenta anos ainda não conseguiu abafar o perfume dos cravos.
adão cruz
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
https://aviagemdosargonautas.net/2025/01/07/adao-cruz-um-pingo-de-vergonha/
ADÃO CRUZ – UM PINGO… DE VERGONHA!
Desde os tempos do fascismo que me habituei a palmilhar os caminhos da esperança. Depois do 25 de Abril estes caminhos alargaram-se e fizeram-se avenidas, rios e mares. Mares de sonho. Não demorou muito a que os predadores da esperança voltassem e se reproduzissem como coelhos. E a erva daninha da desesperança começou a crescer nos prados verdes da minha vida. Sobretudo a desesperança num povo que continuava adormecido, anestesiado, inculto, incapaz de reconhecer, minimamente que fosse, o seu verdadeiro inimigo: o poder dos que tudo mandam, o poder dos que tudo roubam, o poder dos desavergonhados, o poder da desfaçatez e da imoralidade, o poder aniquilador do desenvolvimento mental, político e social, acolitado pelo obscurantismo de uma igreja que nada mais fez e nada mais faz do que rezar e tentar transformar as pessoas num rebanho de obediência e mansidão. Hoje em dia, dificilmente alguém poderá invocar a ignorância acerca dos crimes que enlameiam todas as políticas defensoras da exploração capitalista, dos branqueamentos do dinheiro roubado ao povo, dos negócios sujos, do contrabando de divisas extorquidas ao trabalho de uma nação inteira. Dificilmente alguém poderá invocar a ignorância, mesmo quando tais políticas proclamam aos quatro ventos que são santas, como acontece hoje e sempre aconteceu. No entanto, inexplicavelmente, ainda há muitas vítimas que defendem os agressores. Que defendem as medidas de governos/desgovernos, que mais não fazem do que mostrar que aquilo que deveria ser o braço político e executivo da justiça social é, afinal, um braço-de-ferro com o País. Ou seja, em vez de lutarem com e pelo País, lutam contra ele. São exemplos a já longa e progressiva destruição do SNS, em favor da industrialização da medicina e da assistência médica, a aniquilação da educação pública com todas as nefandas consequências que todos conhecemos, a secundarização da cultura social a todos os níveis, de modo a eliminar o principal obstáculo à massificação da ignorância e do pensamento raso e único, e a sua substituição por uma metacultura elitizada nas mãos do dinheiro. Tudo isto configurando, a nível nacional e mundial, as grandes armas da exploração e do apagar das consciências.
Tenhamos ainda alguma esperança. Alguma esperança de que o braço-de-ferro venha um dia a ser com um povo lúcido, consciente e concreto e não com um povo abstracto e amorfo. Ninguém com dois dedos de testa se pode rever nas políticas autistas e agressivas destes governos, compostos por tecnocratas neoliberais sem ponta de competência, de dignidade, de carácter, de credibilidade e sensibilidade e que sempre espezinharam o sentido da palavra social. Teremos de fazer tudo o que é possível para não aceitarmos a ideia de que os portugueses são uns paspalhos mansos que acatam todas as austeridades e injustiças como favores. Aprendermos a pintar de um branco leite de sabedoria social o escuro, denso e borralhento café economicista e neoliberal dos Governos faz a diferença e permite confrontá-los com Um pingo… de vergonha.
https://aviagemdosargonautas.
O Vinte e cinco de Abril é um poema universal.
É muito difícil entender a alma quase cósmica dos valores, dos princípios, e dos magníficos versos deste profundo poema. Recordar o 25 de Abril não é relembrar apenas o facto concreto de um golpe militar e de uma revolução popular, com mais cartazes ou menos cartazes, mais foguetes ou menos foguetes, mais canções ou menos canções, ainda que de iniciativa extremamente louvável. Recordar e comemorar Abril é ensinar em tudo quanto é lugar, na escola, na rua, no trabalho, que o 25 de Abril foi um portentoso fenómeno universal de iluminação das consciências, de abertura das catacumbas fascistas, um glorioso hino à liberdade com repercussão e geração de profundas mudanças sociais e mentais não só em Portugal mas em muitos países do mundo.
O vinte e cinco de Abril foi um dos fenómenos político-sociais de maior importância pedagógica dentro de uma sociedade encarcerada em mitos, preconceitos, obscurantismos e grilhetas mentais que formataram e aviltaram a vida até meados do século passado. Os seus valores intrínsecos, mal entendidos e mal interpretados por muita gente, mesmo gente de cultura, foram repensados e desenvolvidos ao longo dos anos e percorreram o mundo de lés-a-lés, renascendo e reproduzindo-se como elevados conceitos de deveres, direitos, dignidade e justiça do cidadão no seio de um colectivo humano. Mas este entendimento, infelizmente, apenas fazia parte daquela humanidade sonhadora e senhora da mentalidade saudável do homem cidadão e do político sério, honesto, social e bem intencionado. Pondo de lado a ignorância, a incultura, o obscurantismo de qualquer espécie de que muita gente não era culpada mas vítima de grupos organizados a partir de altas instâncias poderosamente perversas, por mais cru que nos pareça, não devemos escamoteá-lo: uma boa parte da humanidade sempre foi podre e continua podre. Gente podre do ponto de vista da desumanidade, da desigualdade, da perda de consciência, da honra e dignidade, da crueldade, do ódio, da vingança, da sede de sangue, do deus dinheiro acima de tudo, do poder a qualquer preço, da ganância, da guerra e da morte como indústria. E do cancro que gera todas estas metástases, a eterna corrupção. Corrupto significa podre. Estes sim, sempre foram e continuam a ser os inquisidores dos grandes sonhos, os mesmos de sempre, desde a morte de Giordano Bruno até à fogueira dos belíssimos versos do magnífico poema que abriu as nossas almas no vinte e cinco de Abril.
https://aviagemdosargonautas.
adão cruz
https://aviagemdosargonautas.

Ilustração – Quadro de Adão Cruz


51º Aniversário do 25 de Abril
«A propósito de saudações e apelos... o que não pode ser esquecido»
http://conquistasdarevolucao.
* * *
ASSOCIAÇÃO 25 de ABRIL – COMUNICADO

Staffetta partigiana-80° - Gio
Amanhã, para nós [italianos], comemoram-se os 80 anos da libertação da Itália do fascismo, para vocês os cravos, para nós as papoulas que lembram os imensos prados percorridos pelas partigiane, muitas mulheres, que combateram nas montanhas pela nossa liberdade.
Qui (itália) April 24, 2025
Publicada por cid simoes à(s) 22:25
- - - - - - - - - - - -


Alguns POEMAS de ABRIL...

https://voarforadaasa.blogspot.com/2024/04/cancao-da-esperanca-arquimedes-da-silva.html
https://voarforadaasa.blogspot.com/2024/03/o-25-de-abril-nao-admite-neutralidade.html
https://voarforadaasa.blogspot.com/2024/03/o-cravo-de-abril-fernando-peixoto.html
Mensagem dos presos políticos do Forte de Peniche a Aquilino Ribeiro
«Senhor Aquilino Ribeiro:
Neste ano de 1963, em que perfaz meio século de labor literário, queira escutar mais esta voz que se vem juntar ao coro amigo que o saúda – voz que chega do fundo duma prisão, falando pela boca de mais de uma centena de portugueses encarcerados, há longos anos, pelo único crime de muito amarem a liberdade do seu povo, o progresso da sua Pátria, a Paz no mundo.
Outros dirão dos méritos do escritor, da pujança do seu estilo, da verdade das personagens que criou, da seiva espessa que lhe sobe das raízes mergulhadas no povo e na terra, e vai florescer em fecunda alegria de viver nas páginas dos seus livros. Outros dirão ainda do acordo exemplar entre o homem e o artista, e da íntima comunhão da sua vida com as vicissitudes da vida nacional nos últimos 50 anos. Outros dirão – e nós estamos também entre os que celebram a glória do escritor, sem dúvida uma das figuras cimeiras da nossa história literária.
Mas outra é a especial saudação que o nosso coração e o nosso pensamento nos ditam e aqui lhe trazemos.
Queremos saudar o cidadão corajoso e íntegro, que não se vendeu nem dobrou aos poderosos e aos tiranos, que denunciou com desassombro a torpe mentira dos tribunais políticos e a ferocidade da repressão policial, que exaltou a revolta popular, e que soube fazer frente, com o cajado firme da sua pena de escritor, aos lobos fascistas que assolam os povoados da nossa terra.
Queremos saudar o intelectual generoso e lúcido, que tantas vezes soube erguer alto a sua voz em defesa da paz, contra o furor dos fautores da guerra. Queremos saudar o homem viril e fraterno, pela sua inabalável confiança nas forças populares e no destino dos homens, nas suas conquistas científicas e no seu progresso moral, e confiança que o leva, em meio da noite fascista e ao cabo de setenta anos duma vida tantas vezes dura, a saber ainda olhar em frente, olhar para o sol, e apontar aos companheiros a visão estimulante do futuro radioso da humanidade.
Senhor Aquilino Ribeiro: Longa vida lhe desejamos! Para que possa prosseguir por muitos anos ainda no seu belo trabalho criador. Para que a sua figura altiva de lutador se possa manter presente na frente de combate pela Democracia, a Justiça e a Paz.
E para que, sobretudo, em breve possa ver o sol esplendoroso da Liberdade brilhar de novo e para sempre sobre o nosso querido Portugal.»
Os presos políticos do Forte de Peniche.