«CAMILO E EÇA FRENTE A FRENTE»: 'ROMÂNTICOS E REALISTAS' [ 4 ] . Ensaios de Crítica Histórico-Literária. 1949.
«CAMÕES, CAMILO, EÇA E ALGUNS MAIS». Ensaios de Crítica Histórico-Literária. Primavera de 1949.








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António Pedro
[Cidade da Praia, Cabo Verde, 09-12-1909 - Moledo do Minho, Caminha, 17-08-1966]
Poeta, romancista, autor e encenador teatral, crítico de arte, jornalista, editor e também caricaturista, pintor, escultor e ceramista.
Faleceu há 59 anos: 17-08-1966.
http://www.e-cultura.pt/
António Pedro (1909 - 1966) foi o primeiro a dar o título de «Mestre»
ao Senhor Aquilino Ribeiro!
Dedicatória da sua obra "APENAS UMA NARRATIVA", datada de Novembro de 1941:
«DEDICATÓRIA
ao senhor Aquilino Ribeiro»
«Mestre:
«Toda a gente vai ficar espantada com a dedicatória deste livro e com este invocativo que tomo em gosto tornar público, não com sanha de discípulo que não sou, mas com respeito de homem de ofício que sabe quem no merece. Toda a gente vai ficar espantada e pouco isso me importaria se entre essa toda-a-gente não estivesse, como está por certo, o meu Amigo. Eis a razão por que não honro apenas com o seu nome esta folha e me parece necessário explicar-lhe porque o faço.
Há ainda quem tenha a mania de distinguir arte moderna e arte antiga e quem nesta distinção se compraza, ou viva desta distinção. Aqui, público e raso, me confesso do pecado de a ter já feito para tornar mais clara certa confusão entre bom e mau. O que há com arte, com artistas e com tudo, cabe apenas nestas duas espécies. O meu Amigo é dos bons e eu faço por merecer-lhe a companhia. O resto são diferenças que dizem respeito à sua educação e à minha, ao seu gosto e ao meu, à sua Beira de desvirgadas, padres, lobos e almocreves e ao meu Minho de cantorias e emigrantes, milho verde, leiras pequenas, pedinchas, sovinas e fantasmas líricos; o resto, e sobretudo, são coisas que dizem respeito àquelas pulgas que cada um tem seu modo de matar; o resto, ainda, perdoe-me dizer-lho, tem com a sua idade e com a minha idade. E se, com tão oposta educação estética, tão diferente gosto, cenário de infância tão díspar, tão discrepante forma de matar pulgas, idade para ser seu filho, quiser saber porque o admiro, deixe-me lembrar-lhe que escreveu o romance da raposa raposeca, senhora de muita treta, e do galo galaroz, perninhas de retroz, que contou como era a terceira classe da arca de Noé e, também, às vezes, se deixa empapar em sonho, como ninguém, em certas páginas da Aventura Maravilhosa e de outros livros – um sonho por vezes revesso nas palavras saborosas que só tolos vêem por fora, como chuvinha bonita em que não sabem molhar-se.
Não há arte moderna nem antiga. Os artistas é que são modernos e antigos com relação ao momento, e os antigos para o seu momento são sempre maus e sempre errados. O seu momento, Aquilino Ribeiro, ninguém o honrou como V.. Foi a volta à terra depois da especulação, a volta ao gosto infantil depois da pedagogia parva, a volta ao sonho é a epopeia depois da crítica e da caricatura. A Academia com que o insultaram (e em que companhias, Deus do céu!) mais a mereciam certos modernos que conhecemos – soldados uniformizados, como os outros, satisfeitos de abotoarem o mesmo dólman com botõezinhos de outra cor.»
Lisboa, Novembro de 1941.»
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[José Augusto-França, «O essencial sobre ANTÓNIO PEDRO]

António Pedro - Centro de Arte Moderna
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António Pedro, Artista Plástico, Crítico de Arte e Escritor
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MNAC: Aparelho metafísico de meditação
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«Anos de 1866, 67, 68 termina Eça a sua formatura em Direito, estreia-se na Gazeta de Portugal, cozinha o Distrito de Évora, ensaia a lira satânica de Baudelaire. E flana, flana por Lisboa. A experiência da capital vem-lhe dessa data. Os decadentes e irregulares que traz ao tablado, em especial no Primo Basílio, nos Maias, e toda a sub-galeria dos romances póstumos, personagens quase todas dealbadas da ganga nativa nas águas do Sena, são transposições da sua vida de sociedade.»









(continua)