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Alcança quem não cansa

Um Blog utilizado para a divulgação das obras de Aquilino Ribeiro. «Move-me apenas o culto da verdade, pouco me importando que seja vermelha ou branca.» [Aquilino Ribeiro]

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Alcança quem não cansa

18
Jun24

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 40) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. VI de XVIII} * [ vol. I ]

XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

Manuel Pinto

CAP VI RESUMO.jpg

... «Acontece porém que a canção é bordada na talagarça duma outra, de Boscán, perdendo assim com a falta de originalidade subjectiva, senão todo, boa parte do seu valor testemunhal. A poesia do poeta catalão, introdutor em Espanha dos metros novos italianos, é esta:
 
    Claros e frescos rios,
    Que mansamente vays 
    Siguiendo vuestro natural camiño,
    ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 
    Pues quiso mi ventura 
    Que uviesse de apartarme 
    De quiem jamas osé pensar partirme,
    En tanta desventura 
    Conviene consolarme,
    Que no es agora tempo de morirme.
    El alma ha-de estar firme...
    ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 
 
O professor Hernâni Cidade, que fez o confronto das duas composições, sublinha quanto se ajustam no seguinte: Dentro de cenários análogos -- um rio de águas mansamente deslizando -- a mesma perspectiva de mágoa de ausência, a mesma promessa de constância amorosa, não sem um ou outro eco, fugidio embora, da própria expressão.
Que grau de importância, sob o ponto de vista de pragmática, digamos, se deve atribuir a uma composição, cujo pensamento e traça geral representam um decalque? Evidentemente que os estados de alma se repetem de indivíduo para indivíduo. Mas quem vê nesta canção um argumento comprovativo da estada de Luís de Camões em Coimbra não é difícil juiz. Fala do Mondego, e ainda que não pronuncie o nome de Coimbra, aceita-se que seja ela a florida terra, leda, fresca e serena. Mas tal circunstância não implica de modo irrefutável que, de facto, Luís de Camões ali vivesse ledo e contente.
Tendo em vista o que há de inventivo e suposto em todas as ficções poéticas, sobretudo quando observantes do cânon petrarquiano, muito mais seria para pôr de quarentena a informação que filtra desta poesia em virtude de se desenrolar segundo uma vereda aberta por outrem. Quanto aos créditos que se devam outorgar a fantasmagorias e devaneios da imaginação, demos a palavra ao Dr. José Maria Rodrigues:
 Pertenceu ele (Camões) como autor desta espécie de poesias à chamada escola petrarquista, isto é, idealizou uma ou mais criaturas femininas fazendo-lhes versos, como se morresse de paixão por elas, cantando-as como se fossem senhoras do seu coração, mas só com a mira em dar forma literária a impressões que não sentia, ou foi um amoroso por temperamento, um amoroso, digamos assim, à antiga portuguesa? E em qualquer dos casos será possível averiguar quem foi que lhe inspirou tão formosos versos?»...
(continua)

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