ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 56) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XI de XVIII} * [ vol. I ]
XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

«Modo de vida de Luís de Camões. Pobreza paterna»
«Sobressai claro como água, pela análise das notícias reconhecidamente originais e a síntese das mil e uma ilações tiradas pelos inúmeros exegetas, que os pais do poeta eram gente obscura e menos que abastada...»
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«Gente pobre, tampouco se apurou bem de que viviam, nem jamais se poderá apurar. Até a revolução económica de Mouzinho da Silveira, ignorava-se em Portugal de que meios de subsistência se proviam três quartas partes da população. No comum eram bocas, graças a ofícios indefinidos ou eventuais, vegetando ao sabor da fortuna ou da bênção de Deus.
Os pais de Camões eram desta índole, e o filho que vivia com eles, à Mouraria, segundo o testemunho de Manuel Correia, não exercia nenhum mester, nem jamais se lhe conheceu outra aptidão que não fosse a de versejar e prendas afins. Como ganha-pão era pouco e tudo o que há de precário.»


«Luís de Camões não tinha ocupação qualificada, à parte a de poeta, a qual é de crer, apesar de tudo, que alguns proventos lhe proporcionasse.»


«A oficina de joalheiro do verso. Moeda de troco.»
«... Fosse como fosse, não deviam ser chorudos os réditos de Luís de Camões, permitindo-lhe um passadio mais que precário, o tal viver pobre e miseravelmente. Alguns chegavam-lhe em artigos de capoeira e até em camisas.»
(continua)
