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Out23
SOLILÓQUIO AUTOBIOGRÁFICO LITERÁRIO por Aquilino Ribeiro: (a.10)-IDENTIFICAÇÃO
Manuel Pinto
...«Eis o lado detestável da Renascença em Portugal. Todavia, e ainda que animados desse espírito humanista, alguns escritores de génio, como Camões e Gil Vicente, põem-se a aperfeiçoar a língua e, apesar da escassez do vocabulário, causada em parte pela expurgação dos falsos puristas, apesar da imperfeição gramatical, criam, arranjam, adaptam.
Camões, ourives maravilhoso, resgata, na corrente do classicismo bem entendido, a obra de sujeição e de empobrecimento, executada pelos manuseadores do torno. Encarados sob este aspecto de coordenação e de construção linguística, Os Lusíadas valem a Divina Comédia. Os Lusíadas são a grande prova da língua portuguesa quando tornou a ser lusitana.
Como poema épico, não há nada de equivalente nas literaturas modernas. É a última obra-prima epopeica. Por outro lado, continua a ser o mais belo monumento da língua, desviada do seu curso natural, mas brilhante, colorida, cheia de grandeza e magnífica de movimento. Pelo seu sentido, sempre profundamente nacional, são os Vedas dos portugueses. Pelo ritmo ligeiro e sonoro, pode considerar-se este poema superior à Eneida. Não o vou comparar à Odisseia.
A Odisseia paira acima de tudo! É o livro supremo.»...

Esta imagem foi obtida do « DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões », Coordenação de Vítor Aguiar e Silva, 1ª edição (Setembro de 2011). Editorial Caminho.
