SOLILÓQUIO AUTOBIOGRÁFICO LITERÁRIO por Aquilino Ribeiro: (c.1) - RAZÕES DE SER DO ESCRITOR

«Nunca soube o que era servidão aos preconceitos, ao poder, às classes, nem mesmo ao gosto do público. Se pequei, pequei por conta própria, exclusivamente. Em todos os meus livros, se pode verificar mais ou menos esta rebeldia de carácter, desde as Terras do Demo ao Quando os Lobos Uivam. Não direi como o alferes de bandeira: morra um homem e fique fama, nem como o meu saudoso Afonso Lopes Vieira: Salvemos a alma, isto é a dignidade de consciência, mas apenas cumpri o dever contraído para comigo mesmo desde que aprendi a pensar. Estive também na primeira linha da barricada. O homem de letras é um interventor no mundo, não deixando por isso de fazer arte.» (...)
