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Alcança quem não cansa

Um Blog utilizado para a divulgação das obras de Aquilino Ribeiro. «Move-me apenas o culto da verdade, pouco me importando que seja vermelha ou branca.» [Aquilino Ribeiro]

Um Blog utilizado para a divulgação das obras de Aquilino Ribeiro. «Move-me apenas o culto da verdade, pouco me importando que seja vermelha ou branca.» [Aquilino Ribeiro]

Alcança quem não cansa

18
Set25

«AS PLANTAS NA OBRA POÉTICA DE CAMÕES» de JORGE PAIVA (e-Book).

IMPRENSA da UNIVERSIDADE de COIMBRA. [Investigação]. Publicado em Setembro de 2025.

Manuel Pinto

e-livro Jorge Paiva blog bioterra.jpg

Flor do narciso-poético (Narcissus poeticus).
Foto de J. Fernandez-Casas

 

O poema épico Os Lusíadas é composto por 1102 estâncias, cada uma com oito versos decassilábicos (8816 versos). Tendo o poeta viajado pela região tropical asiática indo-pacífica, de elevada biodiversidade e rica em especiarias, o número de espécies de plantas referidas neste poema é quase o dobro do das citadas em toda a Lírica camoniana. Como Camões viajou por ilhas florestadas, n’Os Lusíadas são referidas muito mais espécies arbóreas e plantas tropicais do que na Lírica. Como a maioria dos poemas líricos foram escritos na Europa, predominam referências a plantas europeias. A Lírica camoniana (canções, éclogas, elegias, odes, redondilhas, sextinas e sonetos) é, fundamentalmente, poesia de afetos e amores, e por isso nela predominam referências a flores de plantas herbáceas. Apesar de a Lírica camoniana ter um maior número de versos (cerca de mais 20% do que o poema épico), a fitodiversidade referida na Lírica é muito menor (cerca de metade).

1.ª Edição
ISBN: 
978-989-26-2784-7
eISBN: 978-989-26-2785-4
DOI: 10.14195/978-989-26-2785-4
Série: Investigação
Páginas: 170
Data: Setembro, 2025

Palavras-Chaves
Plantas
Obra Poética
Camões

O E-livro encontra-se aqui

https://monographs.uc.pt/iuc/catalog/view/533/1251/2148-1
 

 

30
Jun25

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 69) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XVII de XVIII} * [ vol. I ]

XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

Manuel Pinto

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17.cap

(continuação)
 
«Ainda as cartas particulares. As virtudes de Satanás. Lira erótica. Amor físico e seus amavios. Vénus e os génios amáveis da Terra. Acentos de suprema beleza.»
 

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«As cartas trazem o nome de alguns dos componentes do bando, fidalgos, plebeus, valentões de verdade, como esse Calixto de Sequeira que passava por ser o primeiro espingardeiro da Índia. Em contacto com esta fauna larvar e prodigiosa enriqueceu-se sua alma na compreensão do homem. Por certo que também foi nas alfurjas de Lisboa e de Goa que adquiriu a experiência que permitiu o seu génio radiasse em tão alta e flagrante floração.
Desse transcurso tão vincado e emocional ficar-lhe-ia o segredo da alma feminina. Não foi no Paço, onde moravam sobretudo bonecas convencionais, e onde, é para mim ponto de fé, jamais pusera os pés; foi ali nas ruas da Mancebia, no Mal-Cozinhado, no pátio das Arcas, que aprendeu todas essas subtilezas e cambiantes do sentir feminino e de modo geral de tudo o que é subjectivo e recôndito na vida amorosa da pessoa humana.
A obra de Luís de Camões revela uma tendência erótica que se sente a cada passo reprimida ou por força da autocrítica ou pela revisão dos censores. As redondilhas a umas matronas, que haviam de ser medianeiras com certa dama, traduzem esta sua feição, em que se combinam amor, desejo, alcovitaria e cantáridas. E como ele gorjeia bem a lição e se insinua melífluo e sugestivo! Em tudo o que diz respeito ao amor físico e suas avenidas, Luís de Camões é inigualável.»
 

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«As descrições galantes de suprema beleza, sem falar na Ilha dos Amores, abundam nas páginas do poeta. Tanto nas Rimas como nos Lusíadas.
Logo no Canto II é Vénus...
 

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«Uma composição, tocando a mesma tecla da física carnal, com certa audácia é a écloga dos Faunos:
 
    Ah, ninfas fugitivas,
    Que só por não usar humanidade 
    Os perigos dos matos não temeis!
    Para que sois esquivas?
    Que inda de nós não peço piedade,
    Mas dessas alvas carnes que ofendeis.
 
E nada mais clandestino, só para iniciados nos mistérios de Afrodite, que estes dois versos que tanto intrigaram o castíssimo Dr. José Maria Rodrigues ao descrever  Vénus :
 
    C'um delgado cendal às partes cobre
    De quem vergonha é natural reparo;
    Porém nem tudo esconde nem descobre
    O véu, dos roxos lírios pouco avaro.
 
Longo tem sido o debate quanto ao equivalente destes roxos lírios. O Dr. José Maria Rodrigues entende que Camões se equivocou e lhe queria chamar brancos; Epifânio que são os lírios do valado em que fala o Cântico dos Cânticos; com Faria e Sousa são o oro hilado de los pelos; com Afrânio Peixoto, além de poeta, médico, as mucosas das partes pudendas. A meu ver, são roxos em virtude do efeito que produz, com o sol, o cendal branco  lançado sobre o   triângulo preto 

 

* * * * * * * * * *


25
Jun25

ANTOLOGIA _ A1 ( XXI - 68) - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro. 1950. Ensaio. «DO BERÇO À NAU S. BENTO» {c. XVII de XVIII} * [ vol. I ]

XXI - LUÍS DE CAMÕES - Fabuloso * Verdadeiro . 1950. Ensaio.

Manuel Pinto

1ª parte do berço GRANDE.jpg

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«Camões poeta pluriforme. Sarcasmo que não satanismo. O Chiado à baila. Despiques em redondilha. Lei contra rufiões.»

«O exercício das letras não constituía mester nem mesmo ocupação. À parte os cronistas e guardas dos tombos, a quem incumbia a missão de notar os feitos dos monarcas, e se desempenhavam de tal papel como os tabeliães redigem uma escritura, compor um rimance, alinhar um vilancete era próprio de gente que não tinha nada que fazer; modo de gastar os ócios; sem finalidade económica, por conseguinte.»
 
 

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«Dos poetas não se fala. Eram cigarras e toda a sua divina voz lançada ao vento. Em regra, por falta de registo -- revistas, gazetas, mil e uma publicações que hoje são bastas como as pragas dos Faraós --, perdia-se, ficava anónima, trocavam-lhe a paternidade.
Em despeito de todos estes azares do tempo e da fortuna, nas Rimas de Luís de Camões há ainda muito de tudo: todos os géneros; todos os padrões; todos os gostos. Predomina o bucólico e o erótico, mas não falta a peça de humor e de sarcasmo. Pois que atravessou o inferno terrestre, devia ter deixado também a sua obra maldita. Mas se deixou, perdeu-se na quase totalidade.»
 

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«Juromenha que andou, já depois de Faria e Sousa, a apanhar quantos argalhos diziam respeito a Camões, descobriu uma quadra do poeta Chiado que parece assentar-lhe, se o apodo de Trinca-fortes é com ele:
 
      Luísa, tu te avisa 
      Que tais melões lhe não dês,
      Porque esse que aí vês,
      Trinca-fortes, mala guisa.
 
«Decerto há aqui um sainete aos melões que a regateira expunha, não apenas aos que imaginava o pudibundo Juromenha e com ele outros, por congruência a incorporar na Constelação Celestial das Onze Mil Virgens, mas aos seios da mesma, termo já corrente na gíria da época pelo que sugerem de análogo na redondeza e no alor. Do mesmo género que essa outra metáfora, do mais requintado culto, patriotismo, os melões da quadra de Chiado representavam um certame em que por certo havia como prémio mais que o fruto das hortas. O próprio Camões abona esta interpretação com uma passagem dos Lusíadas:
 
      Os fermosos limões, ali cheirando, 
      Estão virgíneas tetas imitando.
 

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«Esta versalhada brava deixa adivinhar o que seria a vida de taverna e de alcouce de Chiado e dos seus amigos. Lisboa pululava destas casas de degradação, e da sua fauna própria em despeito das penalidades da lei:»

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(continua)

 

28
Fev25

«CAMÕES E A SUA MÁ ESTRELA». "A EDIÇÃO 'PRINCEPS' DOS LUSÍADAS" -- Segundo Problema (continuação). 1949. [ 21 ]

«CAMÕES, CAMILO, EÇA E ALGUNS MAIS». Ensaios de Crítica Histórico-Literária. Primavera de 1949.

Manuel Pinto

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«A seguinte tábua acusando alguns dos erros duma edição, emendados noutra, derrama luz mais que suficiente sobre o controvertido problema:

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«Acontece ainda que das duas edições, a mais rara é aquela cuja portada ostenta o pelicano a olhar para a direita. A Biblioteca Nacional de Lisboa possui desta apenas um exemplar e 4 da outra; o British Museum possui daquela também um só exemplar completo e outro mutilado. Possuem ainda a espécie que reputamos segunda: a Bodleiana, o Ateneu Comercial do Porto, a Sociedade Martins Sarmento, a Biblioteca Nacional de Paris, a Biblioteca da Academia das Ciências e a Biblioteca Nacional de Nápoles; um exemplar incompleto o Conde de Avilez.»

106.jpg

1584.jpg

Imagem extraída do:
 «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva,1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.

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«A pedra-ara de Portugal deve ser pois aquela edição, de que restam raríssimos exemplares, cuja portada ostenta o pássaro mitológico a olhar para a direita do observador, tarjas a lembrarem as colunas dos velhos altares arruinados, e que a megalomania nacional pretendeu enjeitar por espúria, pervertida, contrafeita e até criminosa em sua desdita textual e gráfica.»

 A EDIÇÃO PRINCEPS (ORIGINAL) 

PELICANO direita 2.jpg

Imagem extraída do:
 «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva,1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.

* * * * * * * * * *

26
Fev25

«CAMÕES E A SUA MÁ ESTRELA». "A EDIÇÃO 'PRINCEPS' DOS LUSÍADAS" -- Segundo Problema (continuação). 1949. [ 20 ]

«CAMÕES, CAMILO, EÇA E ALGUNS MAIS». Ensaios de Crítica Histórico-Literária. Primavera de 1949.

Manuel Pinto

SEGUNDO PROBLEMA

«As duas edições do pelicano estão inçadas de erros. Como se explica?»...
(Continuação)

ED PRINSCEPS novo.jpgImagem extraída do:
 «DICIONÁRIO de LUÍS de CAMões»,
Coordenação de Vítor Aguiar e Silva,1ª edição (Setembro de 2011).
Editorial Caminho.

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canto I - p100-est 24.png

No site da nossa Biblioteca Nacional também a 1ª edição («Edição do pelicano que olha à esquerda») pode ser consultada em: http://purl.pt/1/3/#/0
 

canto II -p100- est 56.png

No site da nossa Biblioteca Nacional também a 1ª edição («Edição do pelicano que olha à esquerda») pode ser consultada em: http://purl.pt/1/3/#/0
 

101.jpg

canto VI -p101 febe18 v 5  6.png

No site da nossa Biblioteca Nacional também a 1ª edição («Edição do pelicano que olha à esquerda») pode ser consultada em: http://purl.pt/1/3/#/0

(Continua)

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